Sobre Educação – Aos Futuros Educadores

Robson Santos

12/7/20174 min read

Abaixo trago o texto do discurso que escrevi para uma das turmas de pedagogia, da qual fui escolhido paraninfo.

Contam as histórias que uma tamareira leva cerca de 100 anos para começar a dar frutos. Sendo assim, diz a lenda que, quem planta tâmaras não as colhe.

Contam que certa vez um senhor de idade avançada plantava tâmaras no deserto quando um jovem o abordou perguntando: “Mas por que o senhor perde tempo plantando o que não via colher? ”. O senhor virou a cabeça e calmamente respondeu: “Se todos pensassem como você, ninguém colheria tâmaras”.

Assim é a nossa carreira de educadores; muitas vezes plantamos sem a certeza da colheita, mas mesmo assim, continuamos fazendo nosso trabalho.

Durante quatro anos vocês ocuparam os bancos da faculdade, ouvindo sobre teóricos e teorias de educação que muitas vezes causaram admiração ou repulsa, mas ali estavam vocês, preocupadas com o conteúdo a ser estudado, avaliações, TCC, enfim, com inúmeras preocupações que lhes tirava o sono e muitas vezes o humor.

Hoje, aqui diante de todos os que partilharam momentos de sua luta, ouso dizer, sem sombra de dúvida ou pesar, que esqueçam tudo o que viram na faculdade. Esqueçam os teóricos e suas teorias, esqueçam do conteúdo livresco e dos nomes difíceis e estapafúrdios que lhes chegaram aos ouvidos.

Não parem para decorar os experimentos de Piaget ou ainda de Pavlov. Tudo isso ficou registrado em seus cadernos e apostilas. Tudo isso será esquecido por não ter se tornado significativo na vida de vocês.

Aí é que está o engano! Tudo isso está estampado em sua formação mas deverá ser usado de forma coerente e correta e não de uma forma meramente conteudista.

Esquecendo de todo o conteúdo livresco, quero convidá-las a atravessarem uma ponte. Digo ainda que, após esta travessia não haverá volta. É um percurso só de ida mas muito gratificante.

Convido-as a atravessarem a ponte da educação, deixando para trás o título que ora recebem e abraçando o título de educadoras. A ponte serve para unir os dois lados de um grande abismo entre professores e educadores. Ser educador é compreender no mais profundo estágio do ser qual o seu papel na formação de cidadãos e acima de tudo seres humanos.

O educador, ao contrário do professor, descobriu que as teorias da faculdade só terão sentido quando amalgamadas com uma liga inquebrável que nos faz enxergar a vida de outra forma: o amor.

O amor que determina a verdade de uma relação, que nos permite plantar tâmaras mesmo sabendo que não conseguiremos colhê-las.

É o amor que faz com que, ao chegarmos à frente de nossos alunos, olhinho ávidos pelas nossas palavras e, mesmo com dificuldades, indisciplina, nos faz olhá-los de forma diferente e saber que vários mundos estão ali.

É o amor que nos faz amar nossos alunos, cada um de um jeito diferente, mas que nos faz respeitar a todos como iguais.

É o amor que nos faz ultrapassar os conceitos das mais modernas teorias pedagógicas e colocar ao colo aquele aluno que hoje chegou carente, precisando de um carinho a mais.

É o amor que nos faz deixar de lado alguns delitos de nossos alunos, achando graça, ainda que às escondidas, de suas traquinagens.

É o amor que nos faz caminhar ao lado daquele que mais precisam; que nos faz pegar em sua mão para auxiliá-lo quando lhe faltam condições.

É o amor que nos faz enxergar no aluno tido como bagunceiro, especial, limítrofe o maravilhoso ser humano em busca de crescimento.

É ainda o amor que nos faz deixar de lado o diploma de professores para nos tornarmos educadores, ainda que isto não esteja atestado em papel ou lavrado em cartório.

O amor nos mostra que aquela semente que estamos plantando poderá dar frutos doces e perfumados ou amargos. Mesmo assim, continuamos plantando na esperança de boas colheitas.

É o amor que nos faz teimosos quando tudo nos diz ser impossível. Pois o amor não escolhe, ele é incondicional e nos mostra que a esperança é a grande companheira de nosso trabalho. A esperança de podermos contribuir com a construção de um novo mundo, de um novo ser, resgatar valores que hoje se perderam rumo a uma consciência planetária onde o homem deixe de ser o lobo do homem.

Amor, esperança, fé são elementos que não recebemos em nossos livros e conteúdos, mas que estão em nosso ser, esperando apenas o momento certo de eclodir e nos transformar. O momento é nosso e somente nós mesmos poderemos escolher qual o melhor.

A ponte está à nossa frente, porém os passos também são nossos e somente poderemos galgá-la quando escolhermos isso. Ninguém poderá nos empurrar ou carregar no colo; os passos devem ser nossos e o caminho, faremos caminhando.

No entanto, quero lembrá-las que não há volta, uma vez transformadas em educadoras, não há como voltar a ser apenas professoras. O amor, a fé, a esperança irá contagiá-las e, inseridas em seu ser não permitirão jamais que, ao olharem para um aluno deixem de enxergar o maravilhoso ser humano que lhes chega às mãos.

Esqueçam das teorias e de muitas de minhas palavras. Muitas foram ditas e perdidas ao vento; ou ainda ouvidas sem muita atenção. Talvez tenham sido teorias e palavras vazias.

Esqueçam de tudo mas lembrem-se sempre e confiem no amor pois somente com ele vocês poderão vencer em sua profissão, mas, acima de tudo, serem felizes.

Se posso deixar algo para vocês, deixo o desejo da felicidade a acompanhá-las em sua caminhada profissional, o amor que transforma e abrasa as dificuldades encontradas e principalmente, a minha amizade e a cumplicidade desses anos que ficaram para trás.

Muito obrigado!

Soluções inovadoras para desenvolvimento humano e educacional.

Contatos

Parcerias

akoma@akoma.com.br

+55 11 98342-2244

© 2026. All rights reserved.